Constantemente me pego com um sentimento de culpa bastante familiar por não conseguir mudar as coisas ao meu redor ou não fazer pequenas (ou grandes) transformações na minha vida. Concordo que muitas vezes o receio supera a iniciativa. Mas quer saber? É apenas mais um daqueles pensamentos programados, daquelas idéias que parte da sociedade atual tenta me impor ou vender como "a melhor solução". Não é em todos os casos ou a qualquer momento que se faz necessária uma revolução. Eu simplesmente não TENHO que mudar. Nem sempre isso nos faz ter benefícios, muito pelo contrário...
Pra ser sincera, chego a não entender - ou melhor, sinto pena de pessoas instáveis. Parei de ter inveja delas há muito tempo. Para mim, elas são tão inseguras como as que descrevi no post anterior. Uma pessoa é inconstante por quê? Porque ela não se satisfaz com nada, porque ela não consegue ser feliz ou ter paz com o que tem - por isso quer sempre mais, coisas diferentes, experiências impulsivas. No fundo, quem acha tanta satisfação em continuar se transformando, quem só fica aliviado sem se sentir "parado", nunca encontra satisfação ou alívio de verdade. E, em muitos casos, pode perder tesouros preciosíssimos para sempre...
Pessoas assim morrem de medo da palavra rotina e a abolem como se fosse algo extremamente negativo. Não é. Pode ser em muitos casos, mas não é necessariamente ruim. Posso dar N exemplos... (ok, não tenho muito tempo para descrevê-los, sorry)
Pois é. Faço, aqui, uma defesa clara da estabilidade. É claro que mudanças são essenciais na nossa vida e no nosso mundo; sem elas nada evoluímos. Mas, ainda que pareça "cool", "engajado", vanguadista e o caralho, viver como uma "metamorfose ambulante" só é legal mesmo naquela música. É na estabilidade que vemos como as coisas são de fato, que podemos analisar tudo para não viver tantas surpresas desagradáveis, e é nela que construímos uma realidade, além da nossa identidade. Estabilidade não é pensar como nossos avós, muito menos deixar de aproveitar o presente - é, sim, poder ter alguma segurança de que será possível continuar tendo e fazendo escolhas (até mesmo optar por mudar ou não).
Ao contrário do que muitos pensam (de forma simplista), estabilidade não é sentar no sofá, se acomodar e ver a vida passar. É ter um motivo, um propósito, um objetivo, algo por que lutar. Estagnação é algo diferente...
Agora, instabilidade constante (paradoxo?) é coisa de gente fraca. Gente que não sabe e nunca vai saber o que quer. Gente que gosta de fugir no primeiro desgosto que enfrenta, que desiste porque "cansou", que faz drama ou se desespera por qualquer problema que aparece, que chora sem querer. Aí vêm me dizer que eu tenho medo de mudar... pois acho que é o inconstante que tem medo de ficar onde está!
Gente que troca de opinião como quem troca de canal. Admiro pessoas com personalidade E flexíveis, o que é perfeitamente possível. Mas saber ser flexível não é ser influenciável, da mesma forma que ter opiniões formadas não é sinônimo de ser um eterno cabeça-dura. Aliás, gente inconstante costuma ser tão exagerada... para eles, é tudo 8 ou 80. Não tem meio-termo, não tem equilíbrio - logo, não há como ter harmonia de jeito nenhum. Gente inconstante gosta de dizer que o é como se isso fosse motivo de orgulho. Eu acho crítico, e até lamentável.
E tem mais: somente os que são muito pacientes conseguem aturar e conviver bem com pessoas inconstantes. Mas é uma triste sina para eles... Ok, às vezes a tarefa torna-se um pouco divertida, mas não deixa de ser difícil.
Mas tudo bem; cada um é de um jeito e que bom que não somos todos iguais! Tenho amigos (e mais que amigos) assim e não deixam de ser pessoas maravilhosas (ok, hora de babar ovo! heheh). Quis apenas manifestar uma opinião e uma visão diferente do assunto. Procuro respeitar e espero o mesmo respeito sobre o que sou também.
Elogio da estabilidade
terça-feira, 16 de setembro de 2008
... pensado por Nicky mais ou menos às 23:08 3 pensamentos alheios
Tags: estabilidade, inconstante, instabilidade, opinião
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