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Eu e Martha Medeiros

domingo, 30 de março de 2008

(Sim, já mudei o layout... e pelo jeito vou mudá-lo periodicamente)

É a segunda vez que leio um texto da Martha Medeiros e me identifico assustadoramente. O primeiro falava de paixão platônica - obsessão da qual, feliz e finalmente, me libertei há pouco mais de um ano e meio (aqui, não poderia deixar de citar a frase-título de uma álbum da Alanis: Supposed Former Infatuation Junkie, o que, segundo a Kecca, só eu consigo pronunciar sem colar!). Bem, viagens à parte (tô parecendo um ex-professor maluco que tive na facul, que enveredava por vários assuntos diferentes, ligava uma coisa à outra, perdia o fio da meada e só no fim da aula voltava ao ponto de partida, que era o assunto que ele queria realmente queria abordar. Opa! Tô quase fazendo isso de novo ¬¬), voltemos ao tema principal: o artigo da Martha Medeiros, publicado na Revista do Globo de hoje, que ainda não encontrei disponível na web e não estou a fim de digitar... mas assim que conseguir, posto aqui. acabo de catar no Google e reproduzo para vocês (é por isso que eu amo a internet! XD):

Aprendendo a brigar

(Martha Medeiros)

Tem uma música do Lulu Santos, “Tempos Modernos”, que sempre considerei uma espécie de hino pessoal. Ficava em êxtase, principalmente quando ouvia aquela parte que diz: ”eu vejo um novo começo de era/de gente fina, elegante e sincera,/com habilidade/pra dizer mais sim do que não...” Até recentemente, era minha formula de felicidade: estar cercada de gente fina, elegante e sincera, entendendo por isso não gente de dinheiro, mas gente inteligente, sensível e com um caráter bom, estável e pacifico.
Se eu desejava isso dos outros, era porque me considerava assim também, o que é uma coisa meio narcísica, mas fazer o quê? Olhava prá trás, lembrava da minha infância, da adolescência, do início da vida adulta, e pensava: vivi dentro de um ambiente de paz e amor, que sortuda que sou.
Ei, quem é sortuda, cara pálida? Pirou?
Conversando com amigos, relatei minha dificuldade em aceitar reações bruscas de pessoas que amo, contei que nunca joguei um copo contra a parede, nunca disse um palavrão para meus pais, admiti que fico paralisada quando ouço gritos e ofensas, que não sei reagir e que o máximo de descontrole a que me permito é chorar, olha que coisa mais infantil. Meus amigos me olharam consternados. Jura? Nunca brigou feio?
Nunca. E talvez tenha me feito falta.
Pelo que vejo e ouço por aí, mulher meter o dedo no nariz do marido é normal, e ele pegá-la pelo braço e sacudi-la é mais normal ainda. Filhos serem grosseiros com os pais é saudável e, entre irmãos, não saindo morte, o resto vale.
Cliente pegar o garçom pelo colarinho para reclamar da comida fria, síndica riscar o carro do vizinho que atrasou o condomínio, está tudo dentro do esperado. Fazer sinal com o dedo médio para o motorista que custou um pouco a arrancar quando o sinal abriu é justo, ora, estamos todos com pressa. Destratar a balconista por causa de um engano que ela cometeu é seu direito. Xingar as amigas e botar a bronca na conta da “intimidade”, tudo bem. Desligar o telefone na cara dos outros acontece. Bater portas, provocar ciúmes para vingar-se, dar rasteira na avó, deixar o cunhado falando sozinho, pomba, quem não?
Tenho bastante trabalho pela frente. Preciso aprender a fazer tudo isso a tempo de não virar uma mulher com todas as magoas retidas no peito, com todas as dores arquivadas para sempre na alma e com raivas silenciadas transformando-se num tumor. Aula de berro, tem? Aula de ofensa? Aula de escândalo? Acho que vou me candidatar a uma vaga.
O máximo que faço – e aceito que façam em mim – é colocar alguns dedos em feridas, já que isso dá resultado e pode ser feito com carinho. Mas vá encontrar alguém que aceite esse tipo de investigação sem considerá-la uma violência.
Enquanto não encontro meu lugar neste mundo de relações aos gritos, de amores brutos, de ringues familiares, seguirá me restando apenas o consultório do psiquiatra, o único lugar onde consigo travar a única briga que me parece evolutiva: eu versus eu.


Eu acho tão reconfortante a gente de vez em quando se ver refletida nas palavras de outra pessoa...

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