Durante esses dias, alguns fatos me fizeram lembrar da época da escola. Na verdade, ser sempre um dos alunos mais inteligentes da turma nunca foi tão bom como se pode imaginar. Não apenas por causa da constante pressão dos pais e de si mesma para tirar ótimas notas (e isso significa ser neurótica a ponto de ficar um dia inteiro deprimida por causa de um 6 ou chorar horrores depois de um 3,5 na prova). Mas, também, porque se você der mole, acaba virando escravo dos outros.
Começou no primário, quando, ao final de um teste, uma colega (que nem falava direito comigo!) me chamou de "vacilona" por eu não ter me arriscado a passar cola pra ela. Era sempre aquele esquema, né? A professora falava "prova" e neguinho quase se estapeava para se sentar perto de mim. Nessas horas, meu grupinho de amigos do peito automaticamente passava de 3 membros para 10, de forma assustadora. No recreio, eles voltavam para perguntar "ei, qual era a resposta da questão 2?", não se contentando com um "também não sei, pô". E quando eu dizia que não tinha estudado? Pior é que quase sempre era verdade, mas parecia sacanagem porque, na hora de entregar a nota, vinha de 8 pra cima. Aí fiquei com fama de CDF, vacilona e mentirosa!
Enfim. Mas o lance da escravidão nem estava aí. Foda é quando você vira o "quebra-galho" dos seus amigos. Primeiro era um "ah, me explica isso aqui", depois tinha o "poxa, não consegui estudar pra prova... me ajuda aê", até que surgia aqueles "tô com mil coisas pra fazer hoje (porque precisa recuperar nota), e não sei como que faz esse trabalho... dá pra fazer ele pra mim?". E lá ia a Santa Mônica, a Nossa Senhora dos Amigos Desesperados, para acudir os fracos e oprimidos de sua patota. Afinal, eu tinha todo o tempo do mundo...
Primeiro grau, segundo grau, até na faculdade passei por isso algumas vezes. Não que eu tenha reclamado - fazia até com prazer, na maior parte das vezes (otária ¬¬). Mas é incrível como certas pessoas não conseguem se virar sozinhas. Não são pessoas burras, não, até porque eu nunca tive muita paciência para lidar com gente estúpida. Também não são do tipo exploradores (pelo menos não a maioria), porque se não nem estariam entre minhas seletas amizades. Simplesmente são inseguras de seu potencial. Eu, com todas as minhas neuras, inseguranças e complexo de inferioridade, nunca dependi de outros para cumprir minhas tarefas individuais. Pelo menos nada que passasse de um conselho ou uma dúvida isolada. Sempre fiz questão de querer resolver por mim mesma o que estava delegado a mim. E fico boba quando vejo gente totalmente capaz e aparentemente "independente" em tantos aspectos agir como crianças que não sabem nada e não conseguem aprender o bê-a-bá do que estudaram por tanto tempo.
E fico triste também. Só fico meio puta quando isso acontece várias vezes na semana, como se eu não tivesse outras quinhentas coisas para fazer. Sozinha.
PS: Não era pra ser um desabafo. Juro.
Um post pensado no ponto de ônibus
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
... pensado por Nicky mais ou menos às 22:04
Tags: ajuda, amigos, dependência, desempenho, escola, infância
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2 pensamentos alheios:
"Mas é incrível como certas pessoas não conseguem se virar sozinhas (...) Simplesmente são inseguras de seu potencial"
Na verdade, eu acho que são um bando de preguiçosos e/ou acomodados mesmo. É bem mais fácil passar a tarde inteira jogando vídeo-game ou navegando na internet do que ter que ficar fazendo trabalho para o dia seguinte.
Eu entendo você, passei por tudo isso também. E nós não fomos as únicas, pode ter certeza. Mas que é chato de vez em quando, é mesmo. Outras vezes é até legal.
;**
Obrigada pelas felicidades rs
Valeu mesmo por ter lembrado!
Bjos!
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